Jovem Casal Sumiu na Lua de Mel em 1988 — Após 22 Anos Mergulhador Encontra Algo no Fundo da Represa

Jovem Casal Sumiu na Lua de Mel em 1988 — Após 22 Anos Mergulhador Encontra Algo no Fundo da Represa
O som de fogos de artifício ainda ecoava pela Igreja de São João Batista, em Alfenas, Minas Gerais, quando Cristiane Aparecida Moreira e Fábio Santos Ribeiro caminharam de mãos dadas em direção ao Fusca azul que os levaria para a lua de mel. Era 23 de julho de 1988, e o jovem casal, ela com 21 anos e ele com 24, irradiava felicidade após uma cerimônia assistida por 200 pessoas.
Cristiane Aparecida Moreira era uma jovem que irradiava alegria por onde passava. Aos 21 anos, com 1,62 metro de altura, cabelos loiros cacheados que dançavam quando ela ria e olhos azuis que brilhavam como estrelas, era conhecida em Alfenas por sua personalidade carismática e generosa. Nascida e criada na cidade, filha de Antônio Moreira Santos, funcionário público municipal, e Rosa Silva Moreira, professora primária, Cristiane havia crescido em uma família tradicional e religiosa.
“Minha filha era pura luz”, lembra Rosa com os olhos cheios de lágrimas, mesmo após tantos anos. “Desde pequena, ela tinha esse dom de fazer as pessoas felizes. Quando chegava a algum lugar, todos sorriam. Era impossível ficar triste perto dela.”
Cristiane trabalhava como secretária na loja Eletrodomésticos Mineira, no centro de Alfenas, onde era querida por todos os clientes e colegas. Tinha terminado o ensino médio e sonhava em fazer faculdade de pedagogia, seguindo os passos da mãe. Era uma jovem dedicada, pontual e extremamente responsável.
“Cristiane era nossa funcionária mais querida”, lembra Sebastião Lima Santos, proprietário da loja na época. “Os clientes pediam para ser atendidos por ela, confiando em sua orientação. Ela era uma vendedora nata, mas, acima de tudo, uma boa pessoa.”
Fábio Santos Ribeiro era o complemento perfeito para Cristiane. Com 24 anos, 1,78 metro de altura, cabelos castanhos sempre penteados e um sorriso gentil, era filho de José Ribeiro Santos, mecânico, e Maria Santos Ribeiro, dona de casa. Trabalhava como caixa no Banco Regional do Sul de Minas e era conhecido por sua seriedade e competência profissional.
“Fábio era um jovem exemplar”, diz José, seu pai. “Trabalhador, honesto e responsável. Desde cedo mostrou que seria um homem de caráter. Quando começou a namorar a Cristiane, soubemos que ele havia encontrado a pessoa certa.”
O casal se conheceu em 1985, durante uma festa junina na escola onde Rosa, mãe de Cristiane, lecionava. Fábio acompanhava um amigo, e Cristiane ajudava a organizar a festa. Foi amor à primeira vista para ambos.
“Quando vi o Fábio pela primeira vez, meu coração deu um pulo”, Cristiane contou às amigas. “Ele estava sentado timidamente em um canto da festa, então fui falar com ele. Conversamos a noite toda sobre tudo e nada. Quando a festa acabou, eu já sabia que ia me casar com ele.”
Namoraram por três anos, período em que se tornaram inseparáveis. Fábio buscava Cristiane no trabalho todos os dias, almoçavam juntos na casa dos pais dela e passavam as tardes de domingo caminhando pela praça central da cidade. Era um namoro tradicional, respeitoso e cheio de planos para o futuro.
“Eles eram o casal perfeito”, recorda Patrícia Silva Costa, melhor amiga de Cristiane. “Se complementavam em tudo. Ele era mais sério, ela mais espontânea. Ele mantinha os pés dela no chão; ela o ensinava a sonhar. Era lindo ver o amor entre os dois.”
Em dezembro de 1987, Fábio pediu Cristiane em casamento durante a missa do galo na igreja que ela frequentava desde criança. Foi um pedido simples, mas romântico, com um anel de noivado comprado com um ano de economia do trabalho no banco.
“Quando o Fábio se ajoelhou ali na igreja, na frente de todo mundo, eu chorei tanto que nem conseguia falar”, lembrava Cristiane. “Era tudo o que eu sempre sonhei: casar na igreja com o homem que eu amava, na minha cidade, perto da minha família.”
Os preparativos do casamento duraram sete meses e envolveram as duas famílias. Cristiane sonhava com uma cerimônia tradicional com vestido branco, véu e grinalda, festa para 200 convidados e uma lua de mel romântica. Fábio, mais prático, cuidou dos aspectos financeiros e logísticos.
O casamento foi marcado para 23 de julho de 1988, na Igreja de São João Batista, onde Cristiane havia recebido sua primeira comunhão e crisma. A festa seria realizada no Salão Esperança, o local mais tradicional da cidade para eventos sociais.
“Foi um casamento de sonho”, diz o padre Joaquim Silva Santos, que celebrou a cerimônia. “A igreja estava lotada, decorada com flores brancas e rosas. Cristiane estava radiante, Fábio estava emocionado. Foi uma das cerimónias mais bonitas que já celebrei.”
Para a lua de mel, o casal escolheu passar uma semana na represa de Furnas, em uma pousada romântica chamada Recanto das Águas, localizada no município de Capitólio. Era um destino popular para casais da região, conhecido por suas águas cristalinas e paisagens deslumbrantes.
“Eles estavam muito animados com a lua de mel”, lembra Rosa. “Cristiane falava há semanas sobre a pousada, sobre os passeios de barco que iam fazer, sobre como seria romântico. Era o primeiro grande presente que davam a si mesmos como casal.”
A cerimônia religiosa ocorreu às 16h de sábado, 23 de julho. Cristiane estava deslumbrante em um vestido de cetim branco com renda, véu longo e um buquê de rosas brancas. Fábio usava um terno azul-marinho e gravata branca, emprestados por um primo que morava em Belo Horizonte.
“Quando a Cristiane entrou na igreja no braço do pai, todos suspiraram”, lembra Patrícia. “Ela estava linda como uma princesa. Fábio esperava no altar e, quando a viu, começou a chorar. Foi muito emocionante.”
A festa durou até as 2h da madrugada de domingo, com jantar servido, banda ao vivo e muita dança. O casal só foi embora quando os últimos convidados se despediram, por volta das 3h. Dormiram poucas horas na casa dos pais de Cristiane antes de partirem para a lua de mel.
Na manhã de domingo, 24 de julho, Cristiane e Fábio arrumaram as malas finais, se despediram das famílias e partiram para Capitólio no Fusca azul 1977 de Fábio, que havia sido especialmente restaurado para a ocasião.
“Eles saíram de casa por volta das 10 da manhã”, lembra Antônio, pai de Cristiane. “Estavam radiantes, animados, falando sobre tudo o que queriam fazer na lua de mel. Cristiane me deu um abraço apertado e disse que ligaria assim que chegassem à pousada.”
A viagem de Alfenas a Capitólio levaria aproximadamente duas horas e meia pelas estradas da região. O casal planejava chegar à pousada no início da tarde, almoçar com vista para o reservatório e passar o resto de domingo relaxando.
A pousada Recanto das Águas confirmou que Cristiane e Fábio fizeram o check-in por volta das 13h30 de domingo. Foram recebidos pelo proprietário, João Carlos Silva Moreira, que os acomodou na suíte nupcial, com varanda com vista para o reservatório.
“Eles chegaram muito felizes”, recorda João Carlos. “Cristiane estava encantada com a vista do quarto. Fábio perguntou sobre os passeios de barco disponíveis. Eram um casal apaixonado, daqueles que fazem a gente acreditar no amor verdadeiro.”
O domingo passou pacificamente na pousada. O casal almoçou no restaurante, passou a tarde na varanda do quarto admirando a paisagem e desfrutou de um jantar romântico à luz de velas. Outros hóspedes os viram durante as refeições, sempre de mãos dadas e conversando animadamente.
“Eles jantararam na mesa perto da janela”, lembra Maria José Oliveira, garçonete da pousada na época. “Estavam muito apaixonados, rindo, fazendo planos. Cristiane mostrou a aliança de casamento para todo mundo. Dava gosto de ver.”
Na segunda-feira, 25 de julho, o casal havia agendado um passeio de barco no reservatório, uma das atrações mais procuradas da região, que incluía visitas a cachoeiras, grutas e pontos de banho em águas cristalinas.
Por volta das 9h, Cristiane e Fábio se dirigiram ao centro integrado de segurança da pousada, onde embarcaram na lancha Esperança Azul, capitaneada pelo barqueiro Valdeci Santo Silva, que oferecia passeios turísticos no reservatório há 15 anos.
“Eles estavam muito animados naquela manhã”, recorda Valdeci, hoje aposentado. “A moça perguntava mil coisas sobre as cachoeiras. O rapaz se interessava pela profundidade da represa, pela história da região. Eram turistas curiosos e educados.”
O passeio começou como de costume às 9h30. O barco levava seis pessoas: o casal, uma família com duas crianças de Belo Horizonte e o barqueiro. O itinerário incluía visita à cachoeira da Fumacinha, banho na praia do Lago Azul e almoço em um restaurante flutuante.
“Foi um passeio normal até por volta das 14h”, diz Valdeci. “Visitamos a cachoeira, eles tiraram muitas fotos, nadaram no lago e almoçaram bem. Estava tudo calmo.”
Por volta das 14h30, durante a viagem de retorno à pousada, Fábio pediu ao barqueiro para parar o barco em uma enseada isolada onde havia visto alguns peixes pulando.
“Queria tentar pescar por alguns minutos, mesmo sem equipamento adequado. Insistiu tanto que acabei parando o barco”, conta Valdeci. “Disse que ia tentar pescar com as mãos, como fazia quando era criança no córrego perto de sua casa. A esposa riu e disse que ele estava louco.”
A enseada ficava em uma área mais afastada da represa, cercada por morros e vegetação densa. A água era cristalina e tinha aproximadamente oito metros de profundidade. Fábio desceu do barco e ficou em uma pedra na margem, tentando pegar alguns peixes pequenos com as mãos.
Passou cerca de 20 minutos brincando na água, lembra Valdeci. A esposa tirava fotos, rindo de suas tentativas de pesca. De repente, ele escorregou na pedra e caiu na água.
Inicialmente, todos riram da queda, achando que era apenas um tombo engraçado. Fábio era bom nadador e a água não era muito funda naquele ponto. Mas, quando ele não emergiu após alguns segundos, o riso se transformou em preocupação.
“Foi aí que percebi que algo estava errado”, conta Valdeci. “Não apareceu na superfície, não fez som. Mergulhei imediatamente atrás dele.”
Valdeci mergulhou várias vezes, tentando localizar Fábio, mas a água estava turva por causa da queda e ele não o encontrava. Cristiane estava desesperada no barco, gritando o nome do marido e implorando para alguém salvá-lo.
“Era terrível ver aquela moça em desespero”, lembra o barqueiro. “Ela queria pular na água para procurar o marido. Tive que segurá-la. Ela gritava, chorava, em pânico total.”
Após 15 minutos de buscas infrutíferas, Valdeci decidiu retornar urgentemente à pousada e chamar o corpo de bombeiros. Durante o trajeto, Cristiane continuava chorando e implorando para voltar ao local onde Fábio havia caído.
“Ela nos pedia para voltar”, conta Valdeci. “Dizia que o marido devia estar preso embaixo d’água, que precisávamos salvá-lo. Foi a viagem mais difícil da minha vida.”
Chegaram à pousada por volta das 15h30. João Carlos, o proprietário, contatou imediatamente o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar. Uma operação de busca e resgate foi montada em menos de uma hora.
“Quando soube o que havia acontecido, meu sangue gelou”, conta João Carlos. “Era a primeira vez em 15 anos de pousada que ocorria um acidente grave. Toda a equipe se mobilizou para ajudar.”
Equipes de mergulhadores do Corpo de Bombeiros de Passos chegaram ao local do acidente por volta das 17h. Iniciaram buscas sistemáticas na área onde Fábio havia caído, mas o reservatório apresentava correntes subaquáticas complexas e várias cavernas submersas.
Cristiane acompanhou toda a operação de resgate da margem do rio, sempre esperançosa de que encontrassem o marido com vida. Recusava-se a sair do local ou a aceitar a possibilidade de que Fábio pudesse ter morrido.
“Ela ficou na margem até anoitecer”, recorda o sargento dos bombeiros Roberto Silva Costa, que coordenou a operação. “Recusava-se a ir para a pousada, não comia, não bebia água, apenas repetia que o marido era um ótimo nadador e que estava vivo.”
As buscas continuaram durante toda a noite com holofotes e intensificaram-se na manhã seguinte. Mais mergulhadores foram trazidos de outras cidades e equipamentos especializados foram utilizados, mas o corpo de Fábio não foi localizado.
“A represa tinha muitas cavernas e grutas subaquáticas”, explica o sargento Roberto. “Era possível que o corpo tivesse sido arrastado por correntes ou ficado preso em alguma cavidade. Continuamos as buscas por cinco dias.”
Durante toda a operação de busca, Cristiane permaneceu na pousada, recusando-se a voltar a Alfenas sem o marido. Ambas as famílias viajaram para Capitólio e tentaram convencê-la a voltar para casa, mas ela permaneceu irredutível.
“Minha filha não conseguia aceitar que o Fábio tinha morrido”, conta Rosa. “Dizia que ele era forte, bom nadador, e que devia estar ferido em algum lugar esperando ajuda. Não conseguíamos fazê-la entender a gravidade da situação.”
No sábado, 30 de julho, após cinco dias de buscas infrutíferas, os bombeiros encerraram oficialmente a operação de resgate. O corpo de Fábio não havia sido encontrado, e as chances de ele estar vivo eram consideradas nulas.
Foi quando algo que ninguém esperava aconteceu. Na noite de sábado para domingo, Cristiane desapareceu da pousada. Seu quarto foi encontrado vazio na manhã de domingo, com roupas e pertences intocados, mas sem nenhum sinal da jovem viúva.
“Quando soubemos que a Cristiane havia desaparecido, entramos em pânico total”, conta João Carlos. “Ela estava emocionalmente devastada. Falava em se juntar ao marido. Temíamos o pior.”
Uma nova operação de busca foi montada, procurando agora por Cristiane. A hipótese mais provável era que ela tivesse se jogado na represa para se juntar ao marido. Mergulhadores voltaram à água, desta vez procurando por duas pessoas.
“Era um pesadelo que não tinha fim”, recorda o sargento Roberto. “Primeiro o marido, agora a esposa, uma lua de mel que se transformou em tragédia completa.”
As buscas por Cristiane duraram uma semana, mas, assim como com Fábio, nenhum rastro dela foi encontrado. A represa parecia ter engolido completamente o jovem casal recém-casado.
As famílias retornaram a Alfenas devastadas, levando consigo apenas as memórias e os pertences que o casal havia deixado na pousada. O Fusca azul de Fábio permaneceu abandonado no estacionamento da pousada por meses, um símbolo silencioso da tragédia.
“Perder os dois de uma vez foi o fim do nosso mundo”, diz Antônio. “Em uma semana perdemos um genro que amávamos como um filho e uma filha que era nossa luz. Nossa família nunca mais foi a mesma.”
O caso chocou a pequena cidade de Alfenas. A igreja onde o casal havia se casado realizou uma missa de sétimo dia que ficou completamente lotada. Centenas de pessoas compareceram para homenagear Cristiane e Fábio, muitas das quais estiveram no casamento apenas duas semanas antes.
“Foi uma das missas mais tristes que já celebrei”, lembra o padre Joaquim. “Ver aquelas famílias destruídas, aquele amor jovem interrompido de forma tão brutal, comoveu a todos. A cidade inteira chorou.”
Nos anos seguintes, as famílias realizaram buscas próprias no reservatório, contratando mergulhadores particulares, consultando médiuns e explorando cada fresta e caverna que encontravam. Mas Cristiane e Fábio continuavam desaparecidos.
“Nunca paramos de procurar”, diz José, pai de Fábio. “Todo fim de semana íamos a Furnas, conversávamos com pescadores e explorávamos novas áreas. Precisávamos encontrá-los para poder viver o luto direito.”
Em 1993, cinco anos após a tragédia, as famílias organizaram uma cerimônia simbólica no cemitério de Alfenas. Duas lápides foram erguidas lado a lado com os nomes de Cristiane e Fábio e a data do desaparecimento.
“Foi nossa maneira de ter um lugar para visitá-los”, explica Rosa. “Mesmo sem os corpos, precisávamos de um lugar para levar flores, para conversar com eles, para manter a memória do amor deles viva.”
Os anos passaram e o caso foi gradualmente esquecido pelo público em geral, mas nunca pelas famílias. Em cada aniversário de casamento, em cada data significativa, parentes e amigos se reuniam para lembrar o jovem casal.
Durante as décadas de 1990 e início dos anos 2000, falsas pistas ocasionalmente surgiam. Alguém dizia ter visto um casal parecido em alguma cidade distante, outros relatavam possíveis avistamentos em outras regiões. Todas as pistas foram investigadas e provaram ser incorretas.
Em 2005, 17 anos após a tragédia, Rosa Moreira faleceu de complicações cardíacas. Amigos da família dizem que ela morreu de coração partido, nunca tendo se recuperado da perda da filha.
“Mamãe nunca mais foi a mesma depois que perdeu a Cristiane”, diz Roberto Moreira Santos, irmão de Cristiane. “Ela dizia que ia encontrar a filha no céu. Acho que ela escolheu partir para poder estar com ela.”
Antônio ficou viúvo e solitário, visitando o túmulo simbólico da filha diariamente. José e Maria, pais de Fábio, também envelheceram rapidamente, marcados pela tragédia que destruíra suas vidas.
Mas, em uma manhã de setembro de 2010, 22 anos após aquela fatídica lua de mel, uma descoberta extraordinária mudaria tudo.
Marco Antônio Silva, mergulhador profissional e instrutor de mergulho, explorava uma caverna subaquática profunda no reservatório de Furnas quando fez uma descoberta que finalmente explicaria o destino do jovem casal. Marco realizava um mergulho técnico para mapear cavernas submersas quando encontrou uma gruta que não constava em nenhum mapa conhecido do reservatório.
Era uma cavidade ampla, localizada a 15 metros de profundidade, com uma entrada estreita e difícil de localizar.
“Era uma caverna que eu nunca tinha visto antes”, diz Marco. “A entrada era pequena, disfarçada por rochas e vegetação aquática. Só achei porque estava fazendo um mapeamento muito detalhado da região.”
Dentro da caverna, Marco fez uma descoberta que lhe gelou o sangue. No fundo da gruta, protegidos da correnteza por 22 anos, jaziam os esqueletos de duas pessoas abraçadas, ainda vestindo os restos das roupas que usavam no dia do acidente.
“Quando vi aqueles dois esqueletos abraçados, soube imediatamente que havia encontrado o casal desaparecido”, conta Marco. “Foi uma cena triste e bonita ao mesmo tempo. Mesmo na morte, eles estavam juntos.”
Marco emergiu imediatamente e alertou as autoridades. Uma equipe de mergulhadores da Polícia Civil e do Instituto Médico Legal foi enviada para confirmar a descoberta e retirar os corpos.
“Após 22 anos, havíamos finalmente encontrado Cristiane e Fábio”, explica o delegado André Silva Costa, que assumiu o caso. “Foi um momento de tristeza, mas também de alívio para as famílias que nunca pararam de os procurar.”
A análise forense confirmou que os restos mortais eram de fato de Cristiane Aparecida Moreira e Fábio Santos Ribeiro. Itens pessoais encontrados junto aos corpos, incluindo alianças de casamento e um relógio, confirmaram suas identidades.
“Os corpos estavam em uma posição que sugeria que haviam se afogado juntos”, explica o legista encarregado. “Cristiane provavelmente tentou salvar o marido quando ele afundava, mas acabou sendo levada pela mesma correnteza que o levou.”
A teoria mais aceita é que Fábio se afogou no acidente original, mas seu corpo foi levado por uma correnteza subaquática para a caverna. Cristiane, que desapareceu dias depois, pode ter pulado na água no mesmo local, sendo levada pela mesma correnteza até onde o marido estava.
“Foi como se o destino quisesse que eles ficassem juntos para sempre”, reflete o investigador João Carlos Lima. “Mesmo separados por alguns dias, a força da água os levou para o mesmo lugar, onde permaneceram abraçados por mais de duas décadas.”
A descoberta finalmente trouxe o fechamento que as famílias buscavam há mais de 20 anos. Antônio, agora com 83 anos e com a saúde debilitada, pôde finalmente ver a filha enterrada adequadamente.
“Saber que minha filha estava com o Fábio, que eles estavam juntos, me deu uma paz que eu não sentia há 22 anos”, disse Antônio durante o funeral. “Eles se amavam tanto que nem a morte pôde separá-los.”
José e Maria, pais de Fábio, também encontraram consolo na descoberta.
“Nosso filho morreu tentando aproveitar a lua de mel, fazendo o que gostava”, disse José. “E morreu ao lado da mulher que amava. Se tinha que ser assim, pelo menos foi com ela.”
O funeral foi realizado na mesma igreja de São João Batista onde o casal havia se casado 22 anos antes. Muitas das pessoas que compareceram ao casamento também participaram do sepultamento, fechando um ciclo que permaneceu aberto por mais de duas décadas.
“Foi comovente e triste”, lembra o padre Joaquim, que celebrou tanto o casamento quanto o funeral. “Ver aquelas famílias finalmente podendo dizer um adeus adequado foi tocante. O amor de Cristiane e Fábio transcendeu a própria morte.”
O casal foi sepultado lado a lado no cemitério municipal de Alfenas, no mesmo local onde as lápides simbólicas haviam sido erguidas anos antes. As antigas lápides foram substituídas por uma nova, com os nomes de ambos e as datas corretas de nascimento e morte.
A descoberta também trouxe mudanças na segurança turística da represa de Furnas. Novos protocolos foram implementados para passeios de barco, incluindo o uso obrigatório de coletes salva-vidas e a proibição de paradas em áreas não sinalizadas.
“A tragédia de Fábio e Cristiane nos ensinou sobre os perigos ocultos do reservatório”, explica João Carlos, da pousada. “Implementamos novas regras de segurança para que outras famílias não passem pelo que eles passaram.”
Marco Antônio, o mergulhador que encontrou o casal, criou um projeto para mapear todas as cavernas e grutas do reservatório, visando evitar que outros desaparecidos permaneçam perdidos por décadas.
“Encontrar Cristiane e Fábio mudou minha vida”, diz Marco. “Decidi dedicar parte do meu tempo a ajudar outras famílias que têm entes queridos desaparecidos em águas profundas.”
Hoje, 14 anos após a descoberta, a história de Cristiane e Fábio ainda é lembrada em Alfenas como símbolo de amor verdadeiro. O casal, que se casou prometendo ficar junto até que a morte os separasse, provou que nem a morte pôde separá-los.
Antônio Moreira faleceu em 2015, aos 88 anos, finalmente em paz após conseguir enterrar a filha adequadamente. José e Maria Ribeiro ainda vivem em Alfenas, com mais de 90 anos, visitando regularmente o túmulo do filho e da nora.
“Eles estão juntos para sempre”, diz Maria. “Era isso que queriam quando se casaram, e foi isso que conseguiram, mesmo que de um jeito que ninguém esperava.”
A represa de Furnas continua sendo um destino turístico popular, mas a gruta onde Cristiane e Fábio foram encontrados tornou-se um local de peregrinação para casais apaixonados, que deixam flores e bilhetes no local, homenageando o amor eterno deles.
Uma placa foi instalada na entrada da pousada, contando a história do casal e alertando sobre a importância da segurança em atividades aquáticas. “Em memória de Cristiane e Fábio, que nos ensinaram que o verdadeiro amor é eterno”, diz a inscrição.
A história também inspirou mudanças na legislação estadual sobre segurança turística em represas e lagos, com novas regras implementadas para proteger os turistas e facilitar operações de busca e resgate.
“O legado de Cristiane e Fábio vai muito além da história de amor deles”, explica o deputado que propôs as mudanças na legislação. “Eles salvaram vidas. Outras vidas foram tocadas pelas melhorias de segurança que a tragédia deles inspirou.”
O Fusca azul em que o casal viajou para a lua de mel foi restaurado pela família e hoje está exposto no museu histórico de Alfenas, como parte de uma exposição sobre a história local. É um lembrete silencioso de sonhos interrompidos, mas também de amor eterno.
“Quando vejo aquele carro, lembro de quão felizes eles estavam quando saíram para a lua de mel”, reflete Patrícia, amiga de Cristiane. “Eles cumpriram o sonho de casar e ficar juntos para sempre, só que não do jeito que esperavam.”
A descoberta dos corpos de Cristiane e Fábio, após 22 anos, provou que algumas histórias de amor são verdadeiramente eternas. Eles cumpriram literalmente a promessa feita no altar de permanecer juntos até que a morte os separasse. E nem a morte pôde separá-los.
Hoje, seus túmulos são visitados por jovens casais que se inspiram na história de amor que resistiu ao tempo e à tragédia. Flores frescas sempre enfeitam o túmulo, deixadas por pessoas que acreditam no poder do amor verdadeiro.
“Cristiane e Fábio nos ensinaram que o amor verdadeiro não tem fim”, resume o padre Joaquim. “Eles viveram pouco tempo como casal, mas deixaram um exemplo de amor que durará para sempre.”