Barão Que TINHA UMA ESCRAVA Usar 7 vezes Ao Dia – Fatos Históricos

Barão Que TINHA UMA ESCRAVA Usar 7 vezes Ao Dia – Fatos Históricos
Em 1841, na fazenda Boa Vista, em Campos dos Goytacazes, interior do Rio de Janeiro, o poderoso Barão de Guaribu, viúvo há 10 anos, engravidou sete vezes da mesma escrava, criada por ele em sua Casa Grande, uma jovem de apenas 19 anos chamada Francisca Benguila, que para horror de toda a província era sua própria sobrinha ilegítima, filha de seu falecido irmão, com uma garota africana trazida de Salvador.
Mas o que levou a esse ato extremo e qual foi o fim trágico dessas pessoas? O que aconteceu nos detalhes deste caso é o que você vai descobrir hoje.
Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense, ano de 1831. O cheiro doce de cana queimada emprenhava o ar pesado de janeiro nas margens do rio Paraíba do Sul. A fazenda Boa Vista estendia-se por seis léguas, com sua sede de paredes grossas pintadas de branco, varanda larga e o sino que anunciava a hora das refeições.
Ali vivia Antônio José Ribeiro de Andrada, o terceiro Barão de Guaribu, 42 anos, deputado provincial, comendador da Ordem de Cristo e um dos homens mais ricos da região. Viúvo desde 1829, quando a baronesa morrera de febre puerperal após o sétimo parto, o barão nunca mais casara. Dizia aos padres que pranteava eternamente a esposa, mas na senzala todos sabiam que a cama do senhor jamais ficara vazia.
Entre dezenas de escravas domésticas, uma chamava a atenção: Francisca, alta, de pele escura e olhar de grandes olhos amendoados. Fora trazida de uma fazenda em Iguaçu quando o barão comprara a dívida do antigo dono. O que poucos sabiam era a verdade que corria em sussurros entre os mais velhos da senzala.
Francisca era filha de uma africana chamada Rosa Benguila com o falecido capitão José Ribeiro de Andrada, irmão mais velho do barão, morto em um duelo anos antes. O capitão solteiro reconhecera a menina no inventário, mas, como filha de escrava, ela continuara cativa e, após a partilha, fora herdada pelo próprio tio, o Barão de Guaribu.
Quando Francisca completou 13 anos, em 1835, foi tirada da senzala e levada para a Casa Grande como mucama pessoal da finada Sinhá, a única filha do barão. Após a morte da patroa, a menina ficou sem função clara, mas nunca mais voltou para a roça. Dormia em um quartinho ao lado do alcove do senhor.
Costurava, servia café, penteava os cabelos grisalhos dele todas as manhãs. Em 1837, aos 15 anos, Francisca engravidou pela primeira vez. O parto foi oculto. A criança, um menino de pele clara, foi registrada como filha de outra escrava já falecida e imediatamente entregue a uma ama de leite em uma fazenda distante.
O barão pagava bem pelo silêncio. Ninguém ousava comentar. Dois anos depois, outra gravidez. Desta vez nasceu uma menina, batizada como Maria Clara. O padre de São Salvador, que batizou a criança, achou estranha a semelhança com o barão, mas recebeu uma boa esmola e calou-se. A menina ficou na Casa Grande, criada como filha do senhor.
Em 1840, o terceiro filho. Outro menino.
O padrão se repetia. Francisca sumia dos serviços por meses, reaparecia mais magra e logo surgia uma nova criança de olhos verdes iguais aos do barão entre as jovens criadas da Casa Grande. A essa altura, a região inteira já cochichava. As visitas eram recebidas com menos frequência.
O barão passou a evitar os bailes em Macaé e as sessões da Assembleia Provincial.
Em março de 1841, Francisca, aos 19 anos, deu à luz gêmeos. Um morreu logo após o parto. A outra, uma menina, sobreviveu. Foi a gota d’água.
A mulher do administrador da fazenda vizinha, dona Guilhermina, escreveu uma carta indignada ao vigário de Campos, denunciando que o barão mantinha concubinato incestuoso com a própria sobrinha escrava e que já eram sete os filhos reconhecidos apenas pelo olhar. O vigário, pressionado pela elite local, enviou um relatório ao bispo do Rio de Janeiro.
O documento chegou à corte em maio de 1841. Dom Pedro II, então com 15 anos, estava sob a regência. O caso caiu nas mãos do ministro da Justiça, que era amigo pessoal do barão. Nada foi feito oficialmente, mas o escândalo já se espalhava pelas ruas de Campos na forma de versos anônimos pregados nas portas das igrejas.
O barão, acuado, tomou uma decisão drástica: mandou construir um novo quartinho nos fundos da Casa Grande, com uma porta interna que dava direto para o seu escritório. Francisca foi ali permanentemente instalada, não saindo mais nem para a missa. Recebia comida por uma janela gradeada, tornando-se prisioneira dentro da própria mansão.
O ano de 1842 amanheceu com cheiro de terra molhada e pólvora. A Revolução Liberal explodiu em São Paulo e Minas Gerais, e os ecos chegaram ao norte do Rio de Janeiro. Os fazendeiros temiam levantes; os escravos sussurravam sobre a liberdade. No meio desse pavor, o Barão de Guaribu reforçou a guarda da Boa Vista com capangas pagos a peso de ouro.
Francisca, mantida em cárcere privado, havia completado 20 anos. Seu corpo já trazia as marcas de sete partos em apenas sete anos: os seios caídos, o ventre flácido, os olhos fundos. Dormia em um catre de campanha dentro do quartinho sem janelas, ouvindo diariamente o tilintar das chaves do amante, que chegava ao entardecer, após o jantar com os hóspedes brancos.
A oitava gravidez veio em setembro de 1843.
Desta vez, o parto foi difícil. Uma parteira preta chamada Tibúrcia, de 80 anos, trazida de Recife, avisou que a moça não aguentaria outro filho tão cedo. O barão respondeu que Deus daria um jeito. E deu um jeito fatal. Tibúrcia foi encontrada morta no rio três dias depois, com as mãos atadas.
A criança nasceu em maio de 1844. Um menino, o mais claro de todos, recebeu o nome de Antônio. Como o pai grande, o batismo foi feito às escondidas, de madrugada, por um padre coadjuvante que recebeu 100 réis em moedas de ouro para esquecer o que viu.
Em 1845, com a corte cada vez mais sob pressão pelas denúncias inglesas contra o tráfico, o barão decidiu enviar dois de seus filhos mais velhos para o Rio de Janeiro.
Maria Clara, então com 9 anos, e o garoto mais velho, de 12, foram embarcados como agregados para servir na residência de um compadre, o conde de Penedo. Na prática, deveriam ser educados como brancos e posteriormente alforriados longe dos olhos de Campos. Mas a Guerra Civil de 1848 mudou tudo.
Tropas legalistas passaram pela região. Um capitão mineiro hospedou-se na Boa Vista. À noite, ouviu o choro abafado vindo dos fundos da Casa Grande. No dia seguinte, exigiu ver a origem. O barão tentou suborná-lo. O oficial sacou o sabre e ordenou que abrissem a porta interna.
Lá estava Francisca, acorrentada pelo tornozelo a um pé da cama, com o bebê Antônio ao peito, ambos cobertos de sujeira.
O capitão ordenou que chamassem o juiz de paz. Pela primeira vez em 17 anos, alguém com autoridade entrou naquele quarto. O barão foi preso em flagrante por cárcere privado e sequestro de pessoa livre, pois Francisca, sendo filha reconhecida de homem branco, possuía condição de forra.
O julgamento em Campos, em 1849, foi um circo.
Metade dos jurados era devedora do barão. A outra metade temia perder as terras hipotecadas a ele. Francisca foi levada ao tribunal acorrentada, ainda amamentando. Quando perguntada se sofria violência, olhou para o barão e apenas disse: “Ele é meu senhor e meu tio. Faço o que ele manda desde os 13 anos.”
O barão foi absolvido por falta de evidências físicas visíveis de violência. Voltou para a fazenda no mesmo dia, recebido com foguetes. Francisca voltou para o quartinho.
A nona gravidez veio logo depois. Como punição, o menino nasceu em 1850 e morreu no mesmo dia. Francisca, aos 28 anos, já parecia ter 50. Sangrou por semanas.
O médico branco recusou-se a tratá-la. A curandeira negra que ousou entrar foi chicoteada até desmaiar.
Em 1852, com a morte de um sobrinho legítimo sem herdeiros, o barão teve de prestar contas à Justiça. Para evitar a partilha, formalmente alforriou quatro de seus filhos vivos com Francisca, mas manteve a escrava presa para serviços prestados à família.
Ela passou a constar como agregada na Casa Grande, mas continuava dormindo no mesmo quarto.
O barão morreu em 1857, de apoplexias, aos 68 anos, ainda dentro daquele quarto, com Francisca ao lado. Em seu testamento, deixou-lhe uma pensão de 20 mil-réis mensais e a liberdade. Mas a filha legítima contestou: o processo arrastou-se por 10 anos.
Francisca Benguila morreu em 1866, aos 44 anos. Sozinha no mesmo quartinho onde passou quase 30 anos, foi enterrada como indigente no canto do cemitério de escravos. Nenhum dos filhos apareceu. Os que viviam como brancos na corte negaram a mãe. Os que ficaram em Campos já haviam sido vendidos para pagar dívidas do inventário.
A fazenda Boa Vista foi leiloada em 1870. A Casa Grande incendiou-se em 1888, na véspera da Lei Áurea. Dizem que o fogo começou exatamente naquele quartinho dos fundos.
Este caso, abafado durante décadas, escancara como o sistema escravocrata brasileiro protegia os poderosos, mesmo quando cometiam os atos mais tórridos dentro de suas próprias famílias. Incesto, cárcere privado e violência sexual continuada não eram exceções; eram uma regra silenciosa nas grandes senzalas do vale do Paraíba. A hipocrisia da elite imperial permitia que homens como o Barão de Guaribu pregassem a moralidade do alto de um palanque enquanto mantinham uma mina de sangue dentro de casa. Francisca não foi apenas uma entre milhares de mulheres cujos nomes a história apagou.